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  • Mariana Steiner

Por que ficamos angustiados durante a Pandemia?



Para pensar na causa da nossa angústia atual, podemos retornar ao início de nossa vida. Segundo Otto Rank, psicanalista contemporâneo de Freud, a nossa primeira angústia é no nascimento. Imaginem, que vivíamos seguros e alimentados no útero de nossa mãe e, de repente, sou tirado desse local... Esse outro local é frio, a luz é clara, eu sinto o desconforto de começar a respirar e de meu corpo funcionar de um jeito totalmente diferente do que eu estava acostumado até então, é uma experiência nova e eu não sei o que está acontecendo. Tenho medo de toda essa novidade. Mas medo do que exatamente? Da morte.


Desde que nos conhecemos por gente, o medo dos nossos medos é o medo da morte. Podemos lidar com isso de diversas formas, tentar nos distrair desse pensamento durante toda a nossa vida, trabalhando, se relacionando, estudando etc. Mas ele está lá, em algum lugar do nosso psiquismo, nos lembrando de uma forma ou de outra de nossa finitude. E tentamos de todas as formas escapar dessa realidade. Freud já dizia, "É impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem nenhum mecanismo de fuga."


Em filosofia, o gnosticismo, interpreta a criação do mundo por um Deus cruel... pois apenas um Deus maquiavélico poderia criar um ser e fazer ele ter consciência de sua própria finitude durante a vida, tamanho é o fardo de carregar um conhecimento desses.


Quem explicou em uma frase a nossa angústia atual, foi Slavoj Zizek, em seu livro “Pandemia”. Ele diz: “Nos últimos dias, às vezes me pego desejando ter logo contraído o coronavírus – assim, isso ao menos poria fim a essa incerteza debilitante...” É essa incerteza que contribui para ficarmos cada vez mais angustiados, O que não quer dizer que quem já passou pela experiência da doença esteja menos angustiado, não é apenas a incerteza de pegar a doença. Mas, a incerteza de como será o mundo daqui pra frente, de como serão as coisas, o que mudará, quando mudará, a situação econômica de cada um, e aqui no Brasil, o agravante também da crise política. Além das incertezas que já tínhamos, outras incertezas surgem, contribuindo para nossa angústia.


Toda angustia vem com o medo da morte (aniquilação, castração) em sua essência. É como um fantasma que nos persegue, mas em tempos pré-pandemia, podia não nos angustiar tanto, pois tínhamos muitas distrações e conseguíamos ficar alheio a ele. Hoje, somos lembrados a todo o momento - até pela mudança de comportamento que as pessoas têm que adquirir como prevenção - da nossa finitude.


Portanto, se você está muito angustiado, não hesite em buscar ajuda profissional. Uma das questões, dentre tantas outras, que a psicanálise tem êxito em auxiliar, são as angústias, quaisquer que sejam.

Bibliografias consultadas:

- O trauma do nascimento e seu significado para a psicanálise – Otto Rank

- Inibições, sintomas e angústia – Sigmund Freud

- A negação da morte – Ernest Becker

- Pandemia – Slavoj Zizek

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